
DIAS DAS MÃES NUMA CHURRASCARIA RODÍZIO
Eu morei em duas casas em Brasília, não eram minhas as casas, claro!! Apenas eu tinha, e tenho ainda esses dois amigos irmãos, vou relatar uma vivencia que houve quando eu residia na casa do Pierre, ou melhor; na casa da Lais Aderne, mãe do próprio. Era um domingo dia das mães e como eu tenho a Lais como mãe artística, pois foi ela que batizou e deu a origem do Ju Medeiros. Eu falei ao Pierre: Cara vamos almoçar num restaurante para comemorar o dia das mães? E o Pierre falou, - Como meu irmão? Não temos grana nem pra gasolina do carro. E eu falei, - mas isso não é problema nos vamos e eu dou um jeito. Como um jeito? Perguntou Pierre. Temos dois problemas não é? Um é almoçar e outro é pagar o almoço, vamos lá.
Marcamos para encontrar com a Lais em uma churrascaria famosa em Brasília que vou omitir o nome por hoje o proprietário ser meu amigo, embora já ciente do que houve.
Como combinado ela chegou ao restaurante no horário marcado, sentamos a mesa e como era domingo dia das mães havia uma promoção da América Express que caso fosse portador de um cartão desses ganharia uma garrafa de vinho. Eu falei pra moça que sim, que tinha o cartão. Que na realidade até tinha, mas estava estourado há dias e com 100% de certeza de não ter condições de efetuar o pagamento. A situação era calamitosa, mas... Como diria Jairon um irmão meu já não mais neste mundo, “o que é um “peido” pra quem ta todo cagado?” e ganhamos o vinho, veio todo aquele ritual, colocaram o vinho na minha taça para degustar e falar se estava bom, e claro que todo vinho de uva é bom, (pelo meu conhecimento sobre a matéria). Falei que estava maravilhoso, que buquê, ainda cheguei a perguntar a uva e a data da safra. Embora nada disso me interessasse, como não interessa ate hoje. E começou os garçons atacar e perguntar se quer que seja iniciado o serviço. Eu perguntei a nossa mãe se já queria começar e ela falou, sim, claro, e eu tenho compromisso mas tarde. O Pierre não parava de chutar minha canela e perguntando como a gente iria pagar, e eu falava baixinho, vamos primeiro comer depois s gente ver como faz. E ele como bom irmão mais novo, aceitou e eu virei à plaqueta para a cor verde, dando assim inicio a comilança.
Noto que nesses restaurantes eles servem nessa ordem;
Lingüiça bem quente com uma farofinha, Frango assado, repetem isso mas algumas vezes e depois começa a servir uma picanha ou cupim. Eu saquei que em outras vezes nesses estabelecimentos isso era uma roubada, pois quando chegamos a um restaurante rodízio, geralmente estamos com bastante fome e logo queremos comer tudo que vem a mesa, mas... A lingüiça vem pegando fogo e isso faz com que a membrana do céu da boca leve uma queimadura leve, mas o suficiente para diminuirmos a vontade de comer, depois que já queimou o céu da boca, vem o frango, a carne do frango a gente morde, morde, morde e morde e ela vai cansando as mandíbulas, deixando a gente com, o céu da boca queimado, as mandíbulas cansadas. Depois eles ainda perguntam se a gente quer mais farofa, macaxeira ou aipim ou mandioca, depende onde esteja mas todos enchem o estomago. Então fica uma dica, ao ir a um restaurante desse tipo peça logo o que você mais gosta. E no terceiro corte. Terceiro????? É sim, muita gente pensando que entende de carne pede primeiro corte, para indicar que quer uma carne que não voltou ao fogo. Mas o primeiro corte quem deu foi quem matou o boi, o segundo quem separou os tipos das carnes, e terceiro quem preparou para ir ao fogo e a gente da o quarto corte.
Bom, depois desse lero lero todo, vou continuar meu enredo. Saciamos nossa fome muito bem e perguntei se algum queria sobremesa, e lá vem o carrinho da mesma a rolar pelo salão. Eu não agüentava mas nada, o Pierre que é bom de ração ainda comeu duas, e a Lais também não quis por já esta meio atrasada para o compromisso que tinha. Eu falei para ela que poderia ir que eu e o Pierre ainda iríamos ficar mais um tempo. E assim se sucedeu, ela foi embora, eu pedi um café com licor, o 43, e ficamos conversando. O Pierre já preocupado e meio e eu chamei o garçom e falei; - O senhor poderia me chamar o gerente? Ele educadamente respondeu. – algum problema com a comida Senhor? Não, respondi a ele, a comida estava maravilhosa, algo com o atendimento Senhor? Perguntou o garçom novamente, de forma alguma meu amigo, o atendimento foi até melhor que a comida, respondi a ele. Então qual o problema Senhor? Me chame o gerente, insisti, e ele falou; - senhor eu posso resolver antes de chamarmos o gerente, e eu falei, então ta bom, o caso é que não temos dinheiro, ele tomou um susto e falou, só com o gerente realmente senhor, e foi chamar o mesmo.
De longe dava para os ver conversando, e o gerente se aprontando para vir ate nossa mesa. E lá vem o gerente, o Pierre falou, eu vou ao banheiro e eu disse, negativo fique aqui para aprender a se sair de situações difíceis.