RIO RECIFE SEM GRANA

Na mesma época de “O Falso Afogamento do Meu Tio“ no Rio de Janeiro vivi uma historia muito interessante no retorno para o Recife. Depois de passar um bom tempo na cidade maravilhosa, chegou a hora de voltar pra casa, e como eu tinha já torrado todo o meu pouco dinheirinho, pois dinheiro pouco eu tinha muito, meu avô comprou a passagem, com o dinheiro que minha mãe tinha enviado e eu nem sabia. Meu tio me levou a rodoviária, desta vez voltando pela São Geraldo, sabe como é né, a gente tem que mudar sempre para ter mais experiências. Ao me despedir do meu tio Edson, aquele que tinha “morrido afogado” ele me deu 37 cruzeiros, acho que era essa a nossa versão do dinheiro. E eu nem tinha me lembrado que haveria paradas para se alimentar. O caso é que na primeira parada, depois de seis horas de estrada, pois é o tempo que o motorista poderia dirigir sem descansar, era a troca de motorista e normalmante parava naqueles restaurantes Flexa. O ônibus parou, desceram todos os passageiros e cada um pegou seu rumo, uns foram tomar banho, outros comprar algo de comer para levar no ônibus e outros para sentar e comer, que foi meu caso, sentei e pedi um rodízio, e almocei. Chegada a hora de subir para o ônibus eu fui para minha poltrona e sentei me. Após uns 10 minutos de estrada eu falei e alto e bom som, “FUI ROUBADO!!!!!” todos ouviram e o motorista olhou para mim e me perguntou como foi isso? E foi encostando o veiculo no acostamento. Eu geralmente comprava cadeira de numero 3, sempre escolhia essa, pois ela era a primeira do lado esquerdo na janela e eu podia ver a estrada, alem de ser única, sem vizinhos. Naquele tempo não tinha essas paredes de hoje que limita a visão do passageiro, e o ônibus não era tão alto. Eu gostava de ir falando com o motorista, contando piadas, cantando algumas canções de minha autoria. Bom, o caso é que o ônibus parou, eu peguei minha pochete, aquelas bolsas que era tipo um cinto. Abri e despejei tudo o conteúdo no chão, tinha alguns trocados somente. Falei que tinha sido no almoço, e o motorista num bom carioquês falou, “poiishhi” é, vocês vem do do northhe e dão vacilo aqui. Eu falei que o dinheiro não era importante, o caso era que ainda tinham mais de dois dias de viagem e com eu iria fazer para comer? E o motorista prontamente falou, você janta comigo hoje a noite na troca de motorista. E um outro lá atrás falou, come comigo cabeludo, era assim que os passageiros me chamavam, nem precisa falar porque né? E assim prosseguiu a viagem, cada parada era uma festa, cada um queria ter uma companhia para almoço, lanche ou janta. É que nessas viagens longa, a gente vai fazendo amizade, vai e conhecendo, é como um ensaio de big brother. E as pessoas que viajam sozinhas torcem para que tenha algum para conversar e principalmente jantar ou almoçar juntos. Na realidade foi a viagem que mais comi na minha vida.
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