Vagabundo de Luxo

Contos pelos cantos que andei. Histórias engraçadas e reais.

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Nome: Ju Medeiros
Local: Fernando de Noronha, Pernambuco, Brazil

Cantor, Compositor e mergulhador. Resido na Ilha de Fernando de Noronha. Atualmente vivo uma experiência de Vídeo Maker, fazendo e escrevendo curtas e viajando de moto Custom pelo Brasil

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

MINHA VIGANÇA AO PLANO DE SAÚDE


É sabido que saúde publica no Brasil vai devagar quase andando, é, quase andando, pois se falarmos assim talvez comece a andar de verdade. E diante das opções que temos ou um plano de saúde pessoal, ou acreditar no destino como fala meu irmão Gustavo Cortês. E a opção é Plano de Saúde, e pelo que vemos na imprensa em geral as coisas não andam tão bem também não, é só para nos pegar mesmo, se atrasamos três meses, já era, temos que procurar um ouro plano e esperar toda a carência que eles obrigam. E se eles falirem? Quem se responsabiliza? Nenhum meu irmão, a gente se ferra também. Ainda bem que o preço é bom, para o a empresa, lógico.
E diante dessas coisas resolvi me vingar de um plano que eu tinha. Peguei o livro de consultas e saí sublinhando todos os médicos que eu gostaria de visitar. Foram vários “ istas “ , oftalmologistas, cardiologistas, endocrinologista, otorrinolaringologista, etc.istas. A seqüência foi assim;

1 – Cardiologista:
Cheguei na clinica com a mão no braço esquerdo e falando bem rouco e baixinho. A secretaria já vendo minha situação me atendeu primeiro e perguntou se eu estava bem, respondi que agora sim, pois estava num consultório medico e deveria ser atendido. Ela pediu minha identidade, carteira do plano e a comprovação do pagamento em dia, dei a carteira do pano, a de identidade e como sabia que por lei não sou obrigado a provar que estou quites com o plano, falei que não tinha, que pagava somente pela internet e não tirava copias e que a lei me dava o direito de..., ela já falava, não tem problema eu verifico. Quinze minutos depois sou chamado para ser atendido. Me levanto com esforço e depois de ter ouvido da secretaria o numero da sala, pergunto bem mais baixinho ainda, qual é a sala senhora? E ela obrigatoriamente me responde, sala 5 senhor. Boa tarde, sr. Ju Medeiros, e eu respondi, - Boa mesmo ta agora doutor, porque acho que estou muito doente. Ele pede para eu sentar e faz seu questionário; O sr. Fuma? Sim. Bebe? Muito, (embora eu nem fume nem bebo nada), Dorme bem? Não doutor, tenho muita dor de cabeça e às vezes falta ar para eu respirar. Tem diabete ou algum familiar que tenha? -Eu não sei se tenho, mas minha tia por parte de mãe tem e por parte de pai eu tenho três tios que tem isso aí. (tudo mentira). Tudo que ele perguntava eu optava pelo pior, ele já meio que assombrado, principalmente pela minha voz rouca, e de repente comecei a forçar a respiração. Ele falou, por favor, tire a camisa e deite-se aqui. Eu sentei na cama e baixei a cabeça e falei, doutor deu uma tontura agora. Ele falou sim, e começou a auscultar meu coração. Nessa hora tive medo dele desconfiar de tudo, mas que nada, parecia que ele tava mais nervoso que eu. E falou, seu coração ta normal, e sua pressão também. E eu falei com um riso natural que só uma flor de plástico, - então o que eu tenho doutor? E essa dor que eu tive hoje pela manhã? E essa falta de ar? E ele, calma meu senhor calma, vamos diagnosticar tudo, preciso passar uns exames para você. Chegou onde eu mais queria, fazer todos aqueles exames em maquinas sofisticadas, radiografias a cores, urina, sangue, etc. deixei a clínica e fui para casa com quase 100 gramas de papel em requisições de exames. 2 - No laboratório de análises;
A moça me deu aqueles frasquinhos para coletar urina e as recomendações; Tem que coletar a primeira urina da manhã e o segundo jato, não pode fazer sexo nem nenhuma atividade física por dois dias, e tem que vir aqui com doze horas em jejum. Ok, eu falei.
Passei a noite namorando com minha mulher, ela até estranhou a performance, eu queria extravasar, depois fizemos um tremendo pic-nic noturno. Pela manha me levantei e fiz xixi, fui tomar café da manhã, coisa que raramente faço, e comi ovos, bacon, leite, café, suco, e ainda algumas colheres de açúcar, minha mulher já muito desconfiada e eu falei de que se tratava e rimos até as dez horas da manha, horário que fui levar a urina, que deveria ser o décimo jato de décima urinada. Chegando lá, o pessoal da clinica de analise ainda perguntou se eu estava em jejum, não tinha feito sexo nem atividade física nenhuma, e eu respondi que, claro Dr. Num era isso para fazer? E fui tirar sangue, foram 4 tubinhos. E a toda hora morrendo de rir por dentro, pois eu imaginava a cara do cardiologista quando visse o exame.
3 – Endocrinologista;
Esperei minha vez, sempre falando manso e rouco. E depois das mesmas perguntas e exigências, entrei na sala do medico. Ele perguntou o que eu sentia e eu falei tudo que me viesse a cabeça, ele apalpou minha garganta para sentir algumas glândulas e nesse momento eu dei um grito que ele quase quebrou o estetoscópio e pediu para eu sentar e passou mais uma porrada de exames.
4 – Oftalmologista;
O único que não deu muito certo, ele pediu para eu sentar na máquina e falou, - o senhor vai olhar para aquela parede ali, eu respondi, que parede? Ele riu e sacou que era uma brincadeirinha, e me fez olhar por aquela maquininha e perguntava se eu poderia ler as letrinhas. Eu falava que não e ele ia aumentando o grau e perguntava, - e agora, e eu respondia que não, tava embaçado. Depois saquei que ali não dava para eu fazer isso, pois necessita de uma resposta verdadeira, eu tinha que ler as letrinhas.
5 - Esteira para avaliação do coração e pulmões;
O medico fez suas perguntas e eu respondendo conforme normas, minhas claro. E pediu para que eu subisse na esteira, isso depois de quase ser depilado para colocar aquelas presilhas e conectar aos fios. Eu me sentia um astronauta fazendo exames. E o doutor falou, vou ligar a esteira devagarzinho depois vou aumentando a velocidade, se o senhor não agüentar me fale que eu para. Ele ligou a esteira e depois de exatamente um minuto eu disse com a voz em fragmenos, dou-tor não arrr-guento mais naaaa-daa. E ele desligo e começo a escrever, parecia guarda de trânsito em esquina do centro da cidade, olhava e escrevia, olhava e escrevia, só me dando multas. E disse o senhor precisa se cuidar. Eu ainda perguntei, o que eu tenho doutor? E ele me respondeu, leve os exames ao cardiologista e ele vai lhe falar, mas pelo que vi aqui o senhor não esta muito bem fisicamente.
No otorrinolaringologista eu comecei falando que senti uma dor muito forte quando baixava a cabeça, e toda vez que ia mergulhar o ouvido doía muito. E ele já foi diagnosticando uma sinusite e pergunto se eu sentia isso com freqüência, eu respondi que as vezes nem me levantar da cama o dia inteiro, ficava no quarto com o ar condicionado bem frio e me cobria todo. E fui falando a ele coisas que uma pessoa que sofre de sinusite jamais poderia fazer, tipo; beber líquidos muito gelado, fumar, mergulhar gripado, ar condicionado muito forte, etc. ele passou uns exames de radiografias faciais. Como no plano de saúde existem alguns exames que precisa passar por uma perícia, e lá foi que eu me diverti muito. Uma semana depois fui levar os exames aos médicos para analises e diagnósticos, ouvi tanta coisa que essa vou ficar devendo a vocês em outra oportunidade.

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

O FALSO AFOGAMENTO DO MEU TIO EDSON



Em 1976 resolvi ir conhecer o Rio de Janeiro pela segunda vez, é que uma cidade como o Rio de Janeiro não se conhece da primeira vez de maneira nenhuma. Comprei a passagem, de ônibus, a grande e velha Itapemirim. Minha vó residia no rio, em Grajaú. Eu tinha meus 18 anos, sonhava jogar futebol na cidade maravilhosa, a viagem demorou três dias ou dois e meio, não lembro bem. Ao chegar na rodoviária fiquei esperando meu tio me apanhar. Ele demorou muito, sabe o Rio como é né? E ele não tinha carro naquela época, (e nem hoje)kkkk, comecei a olhar a cidade dali mesmo onde eu estava. Quanto carro, quanta gente, coloquei a mala no chão ao meu lado e comecei a olhar para cima e fiquei pasmo, quantos prédios, quando olhei para baixo minha mala já era. Essa foi minha primeira experiência lá. Mas fazer o que, na realidade a mala de valor só tinha minha chuteira “gaeta”, (era uma marca das boas na época), e algumas roupas que com certeza não era da onda no Rio.
Finalmente chegou meu tio e pagamos um táxi para casa. Minha vó já me esperava com uma comidinha que só ela sabia fazer. Havia uns 6 anos que eu não a via. Meu avô um velho esperto e bem malandro, na boa concepção da palavra, fazia gaiolas para pássaros e passava o restante da tarde a tomar uma cervejinha e jogar bilhar. Eram aposentados. Me lembro que um dia fui com meu avô ao bar que ele sempre ia e se encontrava com os amigos para jogar e eu entrei na onda de querer jogar com eles, só que o jogo sempre era apostado, não precisava combinar nada, quem perdesse pagava uma cerveja. E depois de ter que pagar umas dez cervejas voltei para cãs com a promessa de jamais pegar um taco de sinuca para jogar, nem que fosse sozinho.
Um outro dia fui à casa de um amigo do meu tio, não me lembro mais onde era, só me lembro que passava por Belfor Roxo, e meu tio falou: - Me dar teu relógio se não alguém leva e tu nem sente, como fizeram com tua mala, e ele falava num bom carioquês, que tinha aprendido nesses anos que residia na cidade de são Sebastião. Todos eram da Paraíba e como muitos nordestinos foram para lá ariscar, e na real só riscaram o ar mesmo, pois além dos meus avós, que se aposentaram pelos Correios e Telégrafos, meus tios tiveram que malhar muito para ter algum pouco. Bom, continuando a historia da passagem pelo Belfor Roxo, eu dei meu relógio ao meu tio, afinal de contas como um Paraíba, inexperiente, e novo podia se safar dos malandros em ônibus na zona norte do rio de janeiro? O fato é que ate hoje não sei onde anda esse relógio. Na casa da minha vó morava, ela, meu avô, Edson, (meu tio), e eu era o mais novo inquilino. Meu tio trabalhava o dia todo numa fabrica de lâmpada e só chegava as dez da noite e eu ficava por ali, conversando com meu avo e aprendendo as coisas da vida. Meu tio tinha uma noiva, que se chamava Gloria, e tinha uns casinhos paralelos que só eu sabia. Como eu quis me vingar do desaparecimento inexplicável do relógio, eu inventei uma estória para o casinho que ele tinha. Ele sempre falou para ela que morava sozinho, que eu tinha vindo para morar com ele, e que minha vó morava em Niterói. Eu fui ao orelhão, liguei para a namorada dele e falei que tínhamos ido a praia em botafogo e que meu tio tinha mergulhado e não mais voltou e que eu já estava em casa,pois tinha pegado um táxi e que desde ontem ele não tinha aparecido em casa e eu não sabia o que fazer. Era um domingo, e claro que meu tio passava o final de semana com a noiva e no meio da semana dava uma saidinha com namorada. A confusão tava armada, eu nunca pensei que a namorada viria até a nossa casa, e foi exatamente o que aconteceu; a noiva do me tio, a gloria, resolveu passsar o domingão na nossa casa. Por volta de meio dia mais ou menos batem a porta e minha avó foi verificar quem era,meu tio tinha saído para comprar alguma coisa e só estávamos em casa nós três, eu minha vó e gloria. Minha vó abriu a porta e viu uma moça e disse; - pois não. – O edson esta? Perguntou a namorada. – não, respondeu minha vó. A namorada, vamos chama la assim de agora por diante, tava com um pacote na mão, era um almoço que ela trazia para mim, pois pensava que eu estav sozinho em casa. Minha vó falou, - entre um pouco. E ela meio que desconfiada perguntou, o Ju esta em casa? E minha respondeu que sim, foi me chamar, quando eu cheguei na sala e ela me falou, pois é sinto muito, eu não entendi, e fui sacando que essa era a namorada, aí caiu a ficha. Eu queria rir e chorar ao mesmo tempo ela falou, quando vi D. Iracema (minha vó), aqui logo percebi que era verdade. Nisso a Glória foi chegando a sala falou educadamente com a moça, boa tarde, tudo bem? E ela respondeu, bem não né, com esse acontecimento. Minha vó pergunta imediatamente, - que acontecimento? A senhora não sabe?responda a namorada, e olha para mim e a Glória, e eu respondi, o que foi que aconteceu? Com a cara bem cínica. E ela perguntou, o que esta acontecendo aqui? Já num tom bem diferente, e a Glória respondeu, como assim? O que esta acontecendo aqui, quem é você? E aí a coisa começou apegar fogo, quando ela respondeu que era a namorada do Edson e que veio aqui porque tinha acontecido um acidente com ele no sábado e que pensando em mim veio trazer algo para eu comer. E a Glória perguntou, - que estória é essa de acidente, de namorada? Olha bem, eu sou a noiva do Edson e quero saber essa estória, tim tim por tim tim. É nesse momento que meu tio entra em casa e se depara com a namorada, a noiva, minha vó, e eu. E ainda perguntou o que estava acontecendo. Eu saí de casa e ainda ouvi a Glória falar, escute aqui seu cachorro, essa piranha aqui, e a piranha, quer dizer, a namorada falando, piranha não, espera a!!í. E fui pro bar me encontrar com meu avô. O noivado acabou, eu fiquei com a consciência pesada, mas de tanto rir depois, e o meu tio também, e ainda me conformou, esquenta não, eu converso com a Glória depois. Hoje eles são casados, tem 3 filhos e moram no Recife

VENDEDOR DE REVISTAS POR TELEFONE


Um dia normal, como outro qualquer, eu tava em casa me preparando para assistir um filme no DVD, como na ilha existe uma doença que chamo de solidão cultural, na realidade nem existe mais, pois hoje já tem varias curas. Mas nessa época ainda sofríamos desse mal. O telefone toca, e toca mais, geralmente eu deixo o telefone tocar umas 5 vezes para poder atender, motivo esse que criei para ter certeza, ou quase certeza que o assunto é de interesse de quem ta ligando. Como tinha algumas vezes que eu deixava tocar até a campainha ficar rouca de tanto chamar. Mas nesse dia eu estava de bem com a vida e embora eu tivesse que assistir ao filme, me dei à oportunidade a atender ao telefone. Alô, e do outro lado a pessoa fala, - Boa tarde, é da residência do Sr. Roberto? Eu respondi que não, é da casa do Ju Medeiros. Oh me desculpe senhor meu nome é Cláudio sou da editora abril e temos uma... daí eu vi já a merda que tinha feito ao falar meu nome para o distinto cidadão. Mas já era tarde e tive a idéia de criar uma história chata na hora e comecei a falar sem dar tempo a ele.
Oh meu amigo, que bom você ter ligado agora, estou sozinha aqui em casa, eu resido numa ilha, não tenho amigos, nenhum gosta muito de mim aqui, a única pessoa que falava comigo era minha tia e ela faleceu semana passada. E ele do outro lado só falava, - pois não Sr. É uma pena Sr., eu compreendo, mas.. e eu não deixava ele começar nenhuma frase e continuava. – e foi bom o senhor me ligar, minha tia era uma pessoa maravilhosa, velhinha mas de uma fé muito grande na igreja batista, o senhor é da igreja batista? E ele, - Não senhor, mas tenho muita fé. Mas o senhor gostaria de participar da igreja batista? Não senhor, agora no momento não. E deixei-o começar a falar com uma pergunta, mas sim, o que o senhor deseja? Ele já meio ofegante começa a falar. - Sou da Editora Abril e temos muitas revistas interessantes para uma pessoa como o senhor, temos por exemplo a revista, eu cortei a fala dele e perguntei por cima, o senhor tem alguma revista que fale sobre saúde? Sobre pessoas idosas? E ele responde, - temos sim tem a revista tal que abrange esses assuntos. E eu mais uma vez cortando a fala dele. – porque me interessa esse assunto, pois minha tia morreu de uma doença muito estranha, começou uma feridinha no dedo medinho esquerdo, e ela coçava muito, e sempre passávamos areia de praia, pois disseram que as águas de Noronha curava por causa dos golfinhos que passavam os dias lá. Na realidade eu contava historias mirabolantes para que ele fosse cansando tanto de ouvir como de querer entender. E falava, mas desculpe Senhor?? Como é mesmo seu nome? Cláudio senhor, meu nome é Cláudio, pois bem seu Clovis, ou desculpe, Sr. Cláudio, pode falar, terminou eu falando mais que o senhor né? – é senhor, o Sr. Fala muito mesmo, mas é assim que deve ser, o senhor aí sozinho numa ilha e ainda mais com a perda da Sra. Sua tia não é? É respondi e quando já ia começando a falar ele já sacando a situação dessa vez foi quem me cortou a fala, e u por cima com um tom mais grave e gaguejando e tossindo ao mesmo tempo - O senhor ta falando por cima da minha voz, como pode, eu não posso entender nada, e ele falou, desculpe senhor, olha eu ligarei um outro dia se o senhor não se incomodar, pois no momento o senhor ta em luto, e eu cortando a voz dele novamente, não!! Pelo amor de Deus, vamos conversar, olhe meu amigo, minha tia morreu faz uma semana e eu dou graças a Deus e aleluia ao senhor Jesus por ter atendido esse telefone, e aproveito para pedir desculpa pela demora em atender, é que eu tava no quarto olhando meu dedo medinho, tem uma feridinha que parece a da minha tia. E do outro lado a linha, tum tum tum tum.

PODE MULTAR SEU GUARDA, EU INSISTO!


Era um domingo desses do nordeste, sol 100%, nuvens nem nos quadros pintados por Zé Som (Artista Plástico de Olinda), fazia 7 minutos que eu tinha me dado à cor do dia, ou para simplificar acordar, quando já estava no portão do jardim escuto aquela voz me chamar, era meu querido pai com uma missão. Retornei e perguntei de que se tratava. Ele falou que eu tinha que ir a Serra das Russas socorrer um carro da empresa que tinha quebrado lá.
A serra das Russas é uma localidade pertencente ao município de Chã Grande, e inicia no quilometro 68 da BR 232, onde começa uma subida de 13 km de extensão.
Bom, a essa altura do campeonato eu já poderia dizer adeus à praia e troquei de roupa e peguei o carro, aliás... O meio de transporte era um fusca 70, de cor verde que a empresa “deixava” eu ficar finais de semana. E eu verde de contentamento peguei estrada. Logo após terminar a subida da serra existe um posto da Policia Rodoviária Federal, e eles sempre param alguns carros para averiguação. E eu fui contemplado, o guarda fez sinal com a mão para que eu encostasse o veiculo. Depois dos famosos pedidos, carteira de habilitação, documento de identidade e documento do veiculo e ele vendo que tava tudo em ordem, alias quase tudo, pois restava o extintor de incêndio, e foi exatamente o que o sargento pediu para averiguar. Após eu ter aberto e permitido ele olha o extintor o mesmo falou que estava com a data de validade vencida. Como eu estava totalmente revoltado com aquela missão dominical olhei para o sargento e falei, - E então? Multa né? Ele olhou para mim e falou, - o senhor sabe quanto é uma multa dessas? Respondi que não, mas que ele poderia multar, pois assim é a lei, assim manda o código e é uma irresponsabilidade dirigir portando um extintor de incêndio vencido, logo um extintor de incêndio que poderia salvar uma família, poderia salvar meu próprio veiculo, etc. fiz um texto daqueles que acredito que o guarda nunca em toda sua carreira havia já escutado. E ele falava que era melhor eu pensar, a multa é alta, e eu continuava insistindo para que ele multasse o veiculo. O guarda não agüentou e pediu um minutinho e foi lá dentro. Minutos depois chega um outro guarda e falou para mim, - Oi amigo, quebra o galho do sargento aí, ele mandou multar e eu vim falar com você para você quebrar o galho e evitar este constrangimento para suas economias. E eu continuei na minha decisão. Pode multar meu amigo, essas coisas servem para que eu aprenda nunca me esqueça das minhas responsabilidades, e rasguei aquele maior papo cínico da minha vida.
Resultado;
Ele me liberou e não aplicou a multa. Eu fiquei sem entender, porque ele não multou? Que fizera eu para que ele me liberasse?
Uns dias depois narrando esse episodio a um amigo que entendia de leis “detranistica”, o mesmo falou que em caso do veiculo em estrada não poderia aplicar multa por extintor vencido ou lâmpada queimada, pois poderia acontecer isso no trajeto e o proprietário do veiculo não teria culpa.
Eu confesso que não fui checar isso no código, mas se alguém se habilita eu gostaria de ter a certeza.
Para efeito de cronologia em relação ao código vigente, o ano foi de 1978.

A PRIMEIRA VEZ QUE FUI PARADO NUMA BLITZ




O ano era o de 1976. Minha mãe tinha comprado uma Brasília amarela (pura coincidência com a futura musica dos Mamonas). Eu estudava no Esuda, um colégio do Recife com uma nova metodologia de ensino. Fazia o científico. Para quem não viveu esse tempo, é o que representa hoje o 2º Grau. As provas eram aplicadas aos sábados e somente aos sábados. Bom, vamos a história;
Como quase sempre lá vai eu meio que atrasado para a prova, saí de Olinda onde morava e peguei a estrada que leva ao Recife, havia pouco tempo que a lei dos 80Km/h tava valendo. Eu estava a uns 80 ou 100 Km/h, e olha que isso era muita velocidade na época. Não que hoje não seja, mas o caso é que a qualidade de segurança dos nossos carros eram de carroças, como falava nosso ex-presidente collorido. De repente, não mais que de repente mesmo!!! Aparece um policial do trânsito e faz sinal de longe para eu parar, na realidade, para eu ir parando, e para não frear bruscamente, eu fui pisando no freio aos poucos e parei um pouquinho distante do policial, o suficiente para ele vir andando e ao mesmo tempo se "arretando" (ficando puto da vida em Nordestês). Ele para e antes mesmo d'eu começar a falar ele introduz o famoso texto: Bom dia? Habilitação, Documento do Veículo e Identidade do Condutor, (espaço de 15 segundos), - Por favor. Eu com as pernas tremendo, embora só eu sabia, fui fazendo a coleta dos documentos exigidos e entreguei para ele com uma cara de quem queria ser muito amigo, companheiro, sobrinho, primo, parceiro no futebol, etc. Ele olhou, foi atrás do veículo, confirmou a placa e voltou ao meu lado e falou; O Sr. ta com muita pressa né? Eu pensando que ali terminaria meu envolvimento com ele, disse - Tô sim senhor, é que tenho uma prova e estou muito atrasado. E ele, já com uma cara de multa perguntou, e para quê que o sr. quer estudar? Eu teria muitas respostas se eu pensasse um segundo antes de falar, poderiam ser;
1 - Para me tornar um advogado e melhorar nosso País.
2 - Para me formar em medicina e salvar muitas vidas e poder ajudar os mais necessitados.
3 - Para..... e para.... etc.
Mas confiei na minha incrível mente criativa espontânea e rápida, e a frase resposta foi exatamente essa;
Para não ser guarda de trânsito feito o senhor.
Bom, nem precisaria contar o restante, mas em consideração aos leitores, vamos lá.
Ele pediu para eu descer do veículo e fez uma radiografia completa. Luz alta e baixa, buzina, extintor de incêndio, luz de freio, setas, pneu de reserva, triângulo, chaves de roda, limpador do pára-brisa, acho que somente isso tudo. e ainda ganhei uma multa de excesso de velocidade e desrespeito a autoridade. A sorte era que a brasília era zero KM, e tava tudo nos trincks. E o pior foi que a multa naquela época não iria para a carteira do condutor e sim diretamente para o veículo na sua futura renovação de emplacamento. Para surpresa da minha querida mãe, mas essa história eu conto depois.