terça-feira, janeiro 31, 2006

O FALSO AFOGAMENTO DO MEU TIO EDSON



Em 1976 resolvi ir conhecer o Rio de Janeiro pela segunda vez, é que uma cidade como o Rio de Janeiro não se conhece da primeira vez de maneira nenhuma. Comprei a passagem, de ônibus, a grande e velha Itapemirim. Minha vó residia no rio, em Grajaú. Eu tinha meus 18 anos, sonhava jogar futebol na cidade maravilhosa, a viagem demorou três dias ou dois e meio, não lembro bem. Ao chegar na rodoviária fiquei esperando meu tio me apanhar. Ele demorou muito, sabe o Rio como é né? E ele não tinha carro naquela época, (e nem hoje)kkkk, comecei a olhar a cidade dali mesmo onde eu estava. Quanto carro, quanta gente, coloquei a mala no chão ao meu lado e comecei a olhar para cima e fiquei pasmo, quantos prédios, quando olhei para baixo minha mala já era. Essa foi minha primeira experiência lá. Mas fazer o que, na realidade a mala de valor só tinha minha chuteira “gaeta”, (era uma marca das boas na época), e algumas roupas que com certeza não era da onda no Rio.
Finalmente chegou meu tio e pagamos um táxi para casa. Minha vó já me esperava com uma comidinha que só ela sabia fazer. Havia uns 6 anos que eu não a via. Meu avô um velho esperto e bem malandro, na boa concepção da palavra, fazia gaiolas para pássaros e passava o restante da tarde a tomar uma cervejinha e jogar bilhar. Eram aposentados. Me lembro que um dia fui com meu avô ao bar que ele sempre ia e se encontrava com os amigos para jogar e eu entrei na onda de querer jogar com eles, só que o jogo sempre era apostado, não precisava combinar nada, quem perdesse pagava uma cerveja. E depois de ter que pagar umas dez cervejas voltei para cãs com a promessa de jamais pegar um taco de sinuca para jogar, nem que fosse sozinho.
Um outro dia fui à casa de um amigo do meu tio, não me lembro mais onde era, só me lembro que passava por Belfor Roxo, e meu tio falou: - Me dar teu relógio se não alguém leva e tu nem sente, como fizeram com tua mala, e ele falava num bom carioquês, que tinha aprendido nesses anos que residia na cidade de são Sebastião. Todos eram da Paraíba e como muitos nordestinos foram para lá ariscar, e na real só riscaram o ar mesmo, pois além dos meus avós, que se aposentaram pelos Correios e Telégrafos, meus tios tiveram que malhar muito para ter algum pouco. Bom, continuando a historia da passagem pelo Belfor Roxo, eu dei meu relógio ao meu tio, afinal de contas como um Paraíba, inexperiente, e novo podia se safar dos malandros em ônibus na zona norte do rio de janeiro? O fato é que ate hoje não sei onde anda esse relógio. Na casa da minha vó morava, ela, meu avô, Edson, (meu tio), e eu era o mais novo inquilino. Meu tio trabalhava o dia todo numa fabrica de lâmpada e só chegava as dez da noite e eu ficava por ali, conversando com meu avo e aprendendo as coisas da vida. Meu tio tinha uma noiva, que se chamava Gloria, e tinha uns casinhos paralelos que só eu sabia. Como eu quis me vingar do desaparecimento inexplicável do relógio, eu inventei uma estória para o casinho que ele tinha. Ele sempre falou para ela que morava sozinho, que eu tinha vindo para morar com ele, e que minha vó morava em Niterói. Eu fui ao orelhão, liguei para a namorada dele e falei que tínhamos ido a praia em botafogo e que meu tio tinha mergulhado e não mais voltou e que eu já estava em casa,pois tinha pegado um táxi e que desde ontem ele não tinha aparecido em casa e eu não sabia o que fazer. Era um domingo, e claro que meu tio passava o final de semana com a noiva e no meio da semana dava uma saidinha com namorada. A confusão tava armada, eu nunca pensei que a namorada viria até a nossa casa, e foi exatamente o que aconteceu; a noiva do me tio, a gloria, resolveu passsar o domingão na nossa casa. Por volta de meio dia mais ou menos batem a porta e minha avó foi verificar quem era,meu tio tinha saído para comprar alguma coisa e só estávamos em casa nós três, eu minha vó e gloria. Minha vó abriu a porta e viu uma moça e disse; - pois não. – O edson esta? Perguntou a namorada. – não, respondeu minha vó. A namorada, vamos chama la assim de agora por diante, tava com um pacote na mão, era um almoço que ela trazia para mim, pois pensava que eu estav sozinho em casa. Minha vó falou, - entre um pouco. E ela meio que desconfiada perguntou, o Ju esta em casa? E minha respondeu que sim, foi me chamar, quando eu cheguei na sala e ela me falou, pois é sinto muito, eu não entendi, e fui sacando que essa era a namorada, aí caiu a ficha. Eu queria rir e chorar ao mesmo tempo ela falou, quando vi D. Iracema (minha vó), aqui logo percebi que era verdade. Nisso a Glória foi chegando a sala falou educadamente com a moça, boa tarde, tudo bem? E ela respondeu, bem não né, com esse acontecimento. Minha vó pergunta imediatamente, - que acontecimento? A senhora não sabe?responda a namorada, e olha para mim e a Glória, e eu respondi, o que foi que aconteceu? Com a cara bem cínica. E ela perguntou, o que esta acontecendo aqui? Já num tom bem diferente, e a Glória respondeu, como assim? O que esta acontecendo aqui, quem é você? E aí a coisa começou apegar fogo, quando ela respondeu que era a namorada do Edson e que veio aqui porque tinha acontecido um acidente com ele no sábado e que pensando em mim veio trazer algo para eu comer. E a Glória perguntou, - que estória é essa de acidente, de namorada? Olha bem, eu sou a noiva do Edson e quero saber essa estória, tim tim por tim tim. É nesse momento que meu tio entra em casa e se depara com a namorada, a noiva, minha vó, e eu. E ainda perguntou o que estava acontecendo. Eu saí de casa e ainda ouvi a Glória falar, escute aqui seu cachorro, essa piranha aqui, e a piranha, quer dizer, a namorada falando, piranha não, espera a!!í. E fui pro bar me encontrar com meu avô. O noivado acabou, eu fiquei com a consciência pesada, mas de tanto rir depois, e o meu tio também, e ainda me conformou, esquenta não, eu converso com a Glória depois. Hoje eles são casados, tem 3 filhos e moram no Recife

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