quarta-feira, março 01, 2006

RIO RECIFE SEM GRANA


Na mesma época de “O Falso Afogamento do Meu Tio“ no Rio de Janeiro vivi uma historia muito interessante no retorno para o Recife. Depois de passar um bom tempo na cidade maravilhosa, chegou a hora de voltar pra casa, e como eu tinha já torrado todo o meu pouco dinheirinho, pois dinheiro pouco eu tinha muito, meu avô comprou a passagem, com o dinheiro que minha mãe tinha enviado e eu nem sabia. Meu tio me levou a rodoviária, desta vez voltando pela São Geraldo, sabe como é né, a gente tem que mudar sempre para ter mais experiências. Ao me despedir do meu tio Edson, aquele que tinha “morrido afogado” ele me deu 37 cruzeiros, acho que era essa a nossa versão do dinheiro. E eu nem tinha me lembrado que haveria paradas para se alimentar. O caso é que na primeira parada, depois de seis horas de estrada, pois é o tempo que o motorista poderia dirigir sem descansar, era a troca de motorista e normalmante parava naqueles restaurantes Flexa. O ônibus parou, desceram todos os passageiros e cada um pegou seu rumo, uns foram tomar banho, outros comprar algo de comer para levar no ônibus e outros para sentar e comer, que foi meu caso, sentei e pedi um rodízio, e almocei. Chegada a hora de subir para o ônibus eu fui para minha poltrona e sentei me. Após uns 10 minutos de estrada eu falei e alto e bom som, “FUI ROUBADO!!!!!” todos ouviram e o motorista olhou para mim e me perguntou como foi isso? E foi encostando o veiculo no acostamento. Eu geralmente comprava cadeira de numero 3, sempre escolhia essa, pois ela era a primeira do lado esquerdo na janela e eu podia ver a estrada, alem de ser única, sem vizinhos. Naquele tempo não tinha essas paredes de hoje que limita a visão do passageiro, e o ônibus não era tão alto. Eu gostava de ir falando com o motorista, contando piadas, cantando algumas canções de minha autoria. Bom, o caso é que o ônibus parou, eu peguei minha pochete, aquelas bolsas que era tipo um cinto. Abri e despejei tudo o conteúdo no chão, tinha alguns trocados somente. Falei que tinha sido no almoço, e o motorista num bom carioquês falou, “poiishhi” é, vocês vem do do northhe e dão vacilo aqui. Eu falei que o dinheiro não era importante, o caso era que ainda tinham mais de dois dias de viagem e com eu iria fazer para comer? E o motorista prontamente falou, você janta comigo hoje a noite na troca de motorista. E um outro lá atrás falou, come comigo cabeludo, era assim que os passageiros me chamavam, nem precisa falar porque né? E assim prosseguiu a viagem, cada parada era uma festa, cada um queria ter uma companhia para almoço, lanche ou janta. É que nessas viagens longa, a gente vai fazendo amizade, vai e conhecendo, é como um ensaio de big brother. E as pessoas que viajam sozinhas torcem para que tenha algum para conversar e principalmente jantar ou almoçar juntos. Na realidade foi a viagem que mais comi na minha vida.

2 comentários:

Duda disse...

hahah. muito legal sua historia cara, pelo menos ainda há um pouco de solidariedade nas pessoas...

abraços

Duda disse...

historia muito interessante, ainda bem que havia solidariedade nas pessoas do onibus ainda... muito legal


abraços