Vagabundo de Luxo

Contos pelos cantos que andei. Histórias engraçadas e reais.

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Nome: Ju Medeiros
Local: Fernando de Noronha, Pernambuco, Brazil

Cantor, Compositor e mergulhador. Resido na Ilha de Fernando de Noronha. Atualmente vivo uma experiência de Vídeo Maker, fazendo e escrevendo curtas e viajando de moto Custom pelo Brasil

Quarta-feira, Março 01, 2006

RIO RECIFE SEM GRANA


Na mesma época de “O Falso Afogamento do Meu Tio“ no Rio de Janeiro vivi uma historia muito interessante no retorno para o Recife. Depois de passar um bom tempo na cidade maravilhosa, chegou a hora de voltar pra casa, e como eu tinha já torrado todo o meu pouco dinheirinho, pois dinheiro pouco eu tinha muito, meu avô comprou a passagem, com o dinheiro que minha mãe tinha enviado e eu nem sabia. Meu tio me levou a rodoviária, desta vez voltando pela São Geraldo, sabe como é né, a gente tem que mudar sempre para ter mais experiências. Ao me despedir do meu tio Edson, aquele que tinha “morrido afogado” ele me deu 37 cruzeiros, acho que era essa a nossa versão do dinheiro. E eu nem tinha me lembrado que haveria paradas para se alimentar. O caso é que na primeira parada, depois de seis horas de estrada, pois é o tempo que o motorista poderia dirigir sem descansar, era a troca de motorista e normalmante parava naqueles restaurantes Flexa. O ônibus parou, desceram todos os passageiros e cada um pegou seu rumo, uns foram tomar banho, outros comprar algo de comer para levar no ônibus e outros para sentar e comer, que foi meu caso, sentei e pedi um rodízio, e almocei. Chegada a hora de subir para o ônibus eu fui para minha poltrona e sentei me. Após uns 10 minutos de estrada eu falei e alto e bom som, “FUI ROUBADO!!!!!” todos ouviram e o motorista olhou para mim e me perguntou como foi isso? E foi encostando o veiculo no acostamento. Eu geralmente comprava cadeira de numero 3, sempre escolhia essa, pois ela era a primeira do lado esquerdo na janela e eu podia ver a estrada, alem de ser única, sem vizinhos. Naquele tempo não tinha essas paredes de hoje que limita a visão do passageiro, e o ônibus não era tão alto. Eu gostava de ir falando com o motorista, contando piadas, cantando algumas canções de minha autoria. Bom, o caso é que o ônibus parou, eu peguei minha pochete, aquelas bolsas que era tipo um cinto. Abri e despejei tudo o conteúdo no chão, tinha alguns trocados somente. Falei que tinha sido no almoço, e o motorista num bom carioquês falou, “poiishhi” é, vocês vem do do northhe e dão vacilo aqui. Eu falei que o dinheiro não era importante, o caso era que ainda tinham mais de dois dias de viagem e com eu iria fazer para comer? E o motorista prontamente falou, você janta comigo hoje a noite na troca de motorista. E um outro lá atrás falou, come comigo cabeludo, era assim que os passageiros me chamavam, nem precisa falar porque né? E assim prosseguiu a viagem, cada parada era uma festa, cada um queria ter uma companhia para almoço, lanche ou janta. É que nessas viagens longa, a gente vai fazendo amizade, vai e conhecendo, é como um ensaio de big brother. E as pessoas que viajam sozinhas torcem para que tenha algum para conversar e principalmente jantar ou almoçar juntos. Na realidade foi a viagem que mais comi na minha vida.

O SORVETE E O VENTO


Em 1975 eu estudava no colégio “Espírito Santo Uniu Dois Amigos”, ou melhor, lembrando ESUDA, um colégio moderno para época, as provas eram aos sábados, já eram com gabaritos em cartões perfurados, ao invés de ser sirene para avisar sobre início e fim das aulas, se ouviam uma canção clássica de bethovem, se não me falha a memória.
Eu sempre ia e voltava para o colégio de ônibus. Morava em Olinda e tinha a linha Casa Caiada, que era o único ônibus que fazia o trecho Olinda até a Rua Riachuelo em Recife, da empresa Borborema. E a volta sempre era aquela bagunça. Eu ia soltando graçinhas para as pessoas que estavam na parada e não subia, claro, as pessoas que estavam trabalhando duro na rua, era meu jeito moleque de brincar. Por exemplo: tinha uns operários cavando um buraco no percurso, no asfalto quente, pois eu sempre voltava depois do meio dia, e eu falava; “tem o que fazer não é cavando buracos essa hora?” O ônibus sempre estava lotado e o motorista nem podia abrir a porta para que entrasse nenhum passageiro, e nem caberia, mas ao dar um rasante pela parada eu aproveitava e soltava umas frases dessas sem graça, que me arrependo às vezes, pois hoje eu sei o que é ter que trabalhar no chão quente ao meio dia, não que eu tenha tido esse oficio, mas a necessidade de ter que ter de fazer algo para poder ter o que ter para comer. E uma essas voltas para Olinda, ao entrar no ônibus, eu vi que tinha um resto de pote de sorvete, já meio derretido. A parada do onibus tinha uma fila enorme de comprida, de maneira que quem não embarcava nessa viagem ia ficando para encabeçar a próxima, eu já dava uma de experto, já entrava na fila encabeçando a próxima, e nenhum podia reclamar pois só quem via eram os primeiros 80 entrarem. Mas voltando ao sorvete; tava la aquele pote de sorvete no banco, algum tinha deixado ali e desembarcou, pois era o terminal. Eu peguei o pote e me sentei, e falei que iria jogar em algum na rua. Deixei o ônibus dar a partida, e lá vai o ônibus, estudantes, trabalhadores, sentados e em pé, num calor infernal, e lotado. E os meus amigos que eram cúmplices de longe falavam, joga nesse aí, naquele, e eu escolhendo a hora de poder jogar o pote para melar a pessoa que estava na rua, porque eu não poderia errar, tinha de ser um alvo certo. Foi que eu vi uma pessoa parada na calçada, esperando o sinal fechar para atravessar, mas o sinal estava aberto, eu tinha visto isso, e falei bem alto, vai ser nesse ali! Todos ouviram e obviamente olharam quem seria a vitima e olharam também para mim para ver se eu teria coragem, se acertaria, e é que chegou a hora em calculei o tempo de jogar o pote, pois tinha a velocidade do ônibus, e eu discutia antes com os amigos sobre isso, que numa velocidade tal, ao lançar um objeto, a velocidade inicial, seria assim, assado. Na realidade eu falava para aparecer e as pessoas pensarem que eu era bom em Física. O fato é que joguei o pote na hora estudada, me esqueci da ação dos ventos, resultado: O pote vira o lado e sorvete já totalmente derretido volta ao ponto de partida pela ação dos ventos e me mela todo de sorvete. A risada foi uma só no ônibus, e eu me olhava e olhava as pessoas, com uma cara vermelha, (e vergonha) e creme, (do sorvete).