
O ano era o de 1976. Minha mãe tinha comprado uma Brasília amarela (pura coincidência com a futura musica dos Mamonas). Eu estudava no Esuda, um colégio do Recife com uma nova metodologia de ensino. Fazia o científico. Para quem não viveu esse tempo, é o que representa hoje o 2º Grau. As provas eram aplicadas aos sábados e somente aos sábados. Bom, vamos a história;
Como quase sempre lá vai eu meio que atrasado para a prova, saí de Olinda onde morava e peguei a estrada que leva ao Recife, havia pouco tempo que a lei dos 80Km/h tava valendo. Eu estava a uns 80 ou 100 Km/h, e olha que isso era muita velocidade na época. Não que hoje não seja, mas o caso é que a qualidade de segurança dos nossos carros eram de carroças, como falava nosso ex-presidente collorido. De repente, não mais que de repente mesmo!!! Aparece um policial do trânsito e faz sinal de longe para eu parar, na realidade, para eu ir parando, e para não frear bruscamente, eu fui pisando no freio aos poucos e parei um pouquinho distante do policial, o suficiente para ele vir andando e ao mesmo tempo se "arretando" (ficando puto da vida em Nordestês). Ele para e antes mesmo d'eu começar a falar ele introduz o famoso texto: Bom dia? Habilitação, Documento do Veículo e Identidade do Condutor, (espaço de 15 segundos), - Por favor. Eu com as pernas tremendo, embora só eu sabia, fui fazendo a coleta dos documentos exigidos e entreguei para ele com uma cara de quem queria ser muito amigo, companheiro, sobrinho, primo, parceiro no futebol, etc. Ele olhou, foi atrás do veículo, confirmou a placa e voltou ao meu lado e falou; O Sr. ta com muita pressa né? Eu pensando que ali terminaria meu envolvimento com ele, disse - Tô sim senhor, é que tenho uma prova e estou muito atrasado. E ele, já com uma cara de multa perguntou, e para quê que o sr. quer estudar? Eu teria muitas respostas se eu pensasse um segundo antes de falar, poderiam ser;
1 - Para me tornar um advogado e melhorar nosso País.
2 - Para me formar em medicina e salvar muitas vidas e poder ajudar os mais necessitados.
3 - Para..... e para.... etc.
Mas confiei na minha incrível mente criativa espontânea e rápida, e a frase resposta foi exatamente essa;
Para não ser guarda de trânsito feito o senhor.
Bom, nem precisaria contar o restante, mas em consideração aos leitores, vamos lá.
Ele pediu para eu descer do veículo e fez uma radiografia completa. Luz alta e baixa, buzina, extintor de incêndio, luz de freio, setas, pneu de reserva, triângulo, chaves de roda, limpador do pára-brisa, acho que somente isso tudo. e ainda ganhei uma multa de excesso de velocidade e desrespeito a autoridade. A sorte era que a brasília era zero KM, e tava tudo nos trincks. E o pior foi que a multa naquela época não iria para a carteira do condutor e sim diretamente para o veículo na sua futura renovação de emplacamento. Para surpresa da minha querida mãe, mas essa história eu conto depois.
5 comentários:
Boa irmão Ju.
Agora sim, caminhamos a passos largos rumo à Academia Brasileira de Letras.
Parabéns. Ficou bonito. E prático. Tua cara. Tua inspiração.
Abraço "haole" Ju.
Goulart "haole" como tu. Ou quase. Graças à Deus.
Tá muito bom, acho que após uma 10 histórias destas, já pode publicar um livro.
O interessante é que são histórias verdadeiras, o que faz os textos bem mais valiosos! Já pensou daqui a uns 100 anos qua do alguém ler???????
Suene
Caríssimo amigo.
Estou comprando um montão de equipamento de mergulho de última geração. Com cartão de crédito. Óbvio. Agora que aprendi a usá-lo, lógicamente que vou abusar.
De posse da bagulhada toda, aportaremos na Alamoa de Dôra em 8 de abril, próximo. A Semana Santa. Se puder estar pela ilha, teremos imensa satisfação em revê-lo.
Grande abraço,
Goulart
Tá na hora de tirar essa historia a limpo,me aguarde,Gloria quer saber do terseiro filho um abraço Edson Medeiros.
Salve Jú!!!
Tuas historias são massa, lendo elas da a sensação de estár mais perto de você,Forte abraço.
Robinho Nação Noronha.
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