O ROUBO DO DEFUNTO

Certa época eu tive um programa de rádio em Noronha. O programa ia ao ar as 9:00 h. e encerrava as 13:00 h.de segunda a sexta e o titulo era “ Ju Medeiros Show”. Era um programa uníssono, só havia, e ainda é assim, uma radio na ilha. Todos ouviam, podia se dizer que era líder e audiência. Eu abordava vários assuntos e como dispunha de muito tempo, cada dia eu reservava uma hora, que era entre meio dia e uma da tarde, para um determinado quadro que eu inventava. A saber; Seg.”Pergunte ao doutor” onde eu fazia as mais ignorantes perguntas num português bem popular para que todos pudessem entender. Ter. “Porque ele pode e eu não” para as pessoas que se sentiam prejudicadas politicamente, a uns eram permitidos fazer algo, a outros a mesma coisa era proibida, isso dentro da mais ditadura possível. Na Quarta tinha o famoso “Som das Almas” onde só tocava musicas de artistas que já tinha morrido, pois eu notava que as rádios em relação aos artistas que morriam só tocavam suas musicas no dia ou no máximo durante uma semana pos morte, onde depois acabavam de matar toda sua arte. E por aí ia. Alguns quadros permaneciam e outros eu criava no próprio dia. Nessa época minha casa era na Praia do Meio, e de lá até a Rádio era uma boa subida, eu saia de casa as 8:00 h e durante o trajeto me encontrava com as pessoas e elas me falavam dos problemas e dos anseios para que eu falasse no programa, tornando assim um gerador de pautas autentico, vinha do povo para a radio e não ao contrario.
Mas, e o roubo do defunto? Vamos lá então; eu estava n meu programa, em um dia normal, e o Naldo que era o diretor da rádio, cujo nome eu chamava de Dr.Naldo Marinho, me falou que tinham roubado o corpo do Sr. João, (nome fictício) do hospital. O programa era sempre pra cima, e eu perguntei a Naldo, pô! Como é que eu vou dar uma noticia dessas? Eu não sei dar noticias desalegres. E ele falou, tem que ser você porque no programa do Raminho, (que fazia das 15h00min as 18h00min) não teria tempo hábil para que as pessoas encontrassem o corpo, conseguisse um caixão, (que era normalmente de caixa de geladeira) e fizessem o enterro. Então sobrou pra mim mesmo, e eu num esforço tremendo falei, o bordão era “Ju Medeiros Show, só na transa” isso era dito de uma maneira explosiva, e eu tive que falar isso de uma maneira pra baixo. Mas consegui. E como foi o roubo? Agora entraremos no assunto.
Seu João tinha falecido a noite. A causa fora de cirrose, como a maioria dos óbitos em Noronha naquela época. Horas depois de sabido da morte, filho dele com mais dois amigos foram visitar e velar o defunto no hospital, pois não havia lugar para velório na ilha. O medico era novato, a cada quinze dias era trocado, e esse era a primeira vez que vinha trabalhar em Noronha e não conhecia nenhum, nem tão pouco como procediam às coisas da ilha, e logo de cara proibiu que os amigos do Sr. João ficassem ali. Quando já passavam das duas da madrugada, o médico foi para sua residência, os amigos e o filho do Sr. João ficaram escondidos esperando a hora de entrar no hospital, e quando chegou à hora entraram. Para surpresa de todos, eles pegaram o corpo colocaram em uma maca e saíram hospital a fora, tornando assim um fato onde a vida imita a arte, em referência a um dos clássicos, do sempre bem amado Jorge Amado, “Quincas Berro D’água”. E no caminho o corpo caiu ao chão, em frente a casa do Seu Davi, que ao ouvir o barulho das rodinhas da maca e das falas do “pré-cortejo”, se levantou e olhou pela brecha da janela na horinha que o corpo caiu e se assustou pensando que era um assassinato. Continuaram pela Rua Amaro Preto, passaram pela frente do cemitério e desceram para a rua que da no Palácio e logo depois a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, lá eles rezaram uma missa, (a maneira deles) e foram os quatro para a casa de um deles. Era o filho, o defunto e mais dois amigos de cachaça. Eles tinham um pacto entre eles que; no dia que um morresse eles passariam a noite bebendo juntos, e foi o que fizeram. Quando o relógio batia três horas da tarde foi anunciado na radio que encontraram o corpo e fizeram o sepultamento.
Mas, e o roubo do defunto? Vamos lá então; eu estava n meu programa, em um dia normal, e o Naldo que era o diretor da rádio, cujo nome eu chamava de Dr.Naldo Marinho, me falou que tinham roubado o corpo do Sr. João, (nome fictício) do hospital. O programa era sempre pra cima, e eu perguntei a Naldo, pô! Como é que eu vou dar uma noticia dessas? Eu não sei dar noticias desalegres. E ele falou, tem que ser você porque no programa do Raminho, (que fazia das 15h00min as 18h00min) não teria tempo hábil para que as pessoas encontrassem o corpo, conseguisse um caixão, (que era normalmente de caixa de geladeira) e fizessem o enterro. Então sobrou pra mim mesmo, e eu num esforço tremendo falei, o bordão era “Ju Medeiros Show, só na transa” isso era dito de uma maneira explosiva, e eu tive que falar isso de uma maneira pra baixo. Mas consegui. E como foi o roubo? Agora entraremos no assunto.
Seu João tinha falecido a noite. A causa fora de cirrose, como a maioria dos óbitos em Noronha naquela época. Horas depois de sabido da morte, filho dele com mais dois amigos foram visitar e velar o defunto no hospital, pois não havia lugar para velório na ilha. O medico era novato, a cada quinze dias era trocado, e esse era a primeira vez que vinha trabalhar em Noronha e não conhecia nenhum, nem tão pouco como procediam às coisas da ilha, e logo de cara proibiu que os amigos do Sr. João ficassem ali. Quando já passavam das duas da madrugada, o médico foi para sua residência, os amigos e o filho do Sr. João ficaram escondidos esperando a hora de entrar no hospital, e quando chegou à hora entraram. Para surpresa de todos, eles pegaram o corpo colocaram em uma maca e saíram hospital a fora, tornando assim um fato onde a vida imita a arte, em referência a um dos clássicos, do sempre bem amado Jorge Amado, “Quincas Berro D’água”. E no caminho o corpo caiu ao chão, em frente a casa do Seu Davi, que ao ouvir o barulho das rodinhas da maca e das falas do “pré-cortejo”, se levantou e olhou pela brecha da janela na horinha que o corpo caiu e se assustou pensando que era um assassinato. Continuaram pela Rua Amaro Preto, passaram pela frente do cemitério e desceram para a rua que da no Palácio e logo depois a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, lá eles rezaram uma missa, (a maneira deles) e foram os quatro para a casa de um deles. Era o filho, o defunto e mais dois amigos de cachaça. Eles tinham um pacto entre eles que; no dia que um morresse eles passariam a noite bebendo juntos, e foi o que fizeram. Quando o relógio batia três horas da tarde foi anunciado na radio que encontraram o corpo e fizeram o sepultamento.
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