TODA FORMA ACOMPANHA COM SI SUA HISTÓRIA

Em meados de 1992 a 1993 o governo de Pernambuco trouxe para Noronha vários artistas para realização de um projeto, Noronha 3 VISÕES. Fotógrafos, artistas plástico, poeta, no singular mesmo porque só foi um mesmo. E como eu sempre tava no meio dessas ondas, fiz amizade com quase todos. Eram artistas ligado a Veneza brasileira, e recebi vários presentes e dentre eles um que foi assinado por nada mais nada a menos que dois grandes gigantes das artes plástica de Pernambuco; Gil Vicente e Zé Carlos Viana. Eram duas madeiras em forma de cruz que eles acharam na praia, resto de barcos. Na linha vertical eles desenharam de cima para baixo; uma ave voando no céu, uma casinha, notas musicais saindo dessa casinha, e uma onda na praia, e um golfinho fazendo uma acrobacia. Na parte horizontal da esquerda para a direita ele escreveu “Marco Zero do Stress”, e colocava acima dessa frase na parte vertical meu nome Ju Medeiros. Eu recebi aquela obra de arte com muito carinho e coloquei na parede da minha casa na Praia do Meio.
Alguns meses depois eu recebo em casa um xamã amigo meu lá do norte do país. Entre umas conversas e outras ele olhou para a obra de arte e me perguntou quem me dera aquilo. Depois que eu falei toda a historia ele me falou que se eu quisesse que minha vida melhorasse deveria apagar o meu nome naquela obra. Apesar de esse amigo ser um mestre meu e eu sempre o escutei com os ouvidos e coração, eu fiquei sem entender o porquê, como sempre ficava quando ele falava sem me explicar antes. Mas eu perguntei, claro que perguntei. Ele falou que toda forma carrega com si sua historia. A historia da cruz é de sofrimento, dor, morte, e eu não deveríamos deixar meu nome escrito numa. Eu ri e falei que achava que não tinha nada haver. E ele falou com sua calma e sabedoria de sempre. Retire e espere o tempo, que é o mestre lhe mostrar. E você ainda terá um positivo disso. Eu perguntei o que seria ou como seria esse positivo? E ele falou que eu observasse minha vida e que algum ser daria um toque sobre isso.
E realmente fiquei observando e atento a minha vida e aos amigos que me cercavam. E eis que um dia um moleque amigo meu, o Dequinha, moleque no sentido de criança bacana que sempre ia lá em casa e ficava me perguntando coisas e eu ia lhe ensinando o que ia aprendendo. Dequinha era muito observador, tinha seus 6 a 7 anos. Nesse dia ele entrou em casa como de costume e sentou no chão e logo em seguida perguntou a mim, “ oxente! Tirasse o teu nome dali foi? Apontando para a obra de arte. Na mesma hora eu me lembrei do meu mestre e o que ele tinha falado. Ri de mim mesmo e aproveitei para observar com vinha sendo minha vida até aquele dia. E pra minha surpresa vi que realmente as coisas tinham mudado para melhor. Parece historia pra boi dormir né? Mas só eu sei como minha vida vem se transformando até hoje. E para melhorar mais, eu desfiz a forma de cruz, coloquei o braço vertical todo para a direita e preguei na parte vertical. E até hoje eu sempre observo as formas, me lembro que quando adolescente em Olinda, a galera toda usava sempre uma cruz pendurada no pescoço, e concordo que para lembrar Jesus nunca deveria usar uma cruz e sim um coração. Pensem sobre isso.
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